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Exhibition “Dear Verbeke Foundation”, Verbeke Foundation 2012.

ON THE DURATION OF TIME

The notion of time as something mechanical, objective and measurable by a machine, conceived as a mathematical variable that seems to increasingly control our lives. As with modern science, the time that rules us is understood quantitatively, as a discontinuous extension, a straight line that can be infinitely divided into instants that aren’t necessarily related. Everything passes as if there is no sequence, nor accumulation of the past in the present. Nowadays, as well as lack of memory, it seems we are also loosing the notion of the duration of time, as time lived, disassociated to the movement of continually planned moments.

Ivan’s work presented, permits us to reflect on questions related to time and memory. It is composed of a closed circuit where a video camera, which faces and captures images from a rectangular aquarium containing a live Goldfish, the image is transmitted to a monitor, which has the same proportions of the aquarium and also faces it. Between the camera and the monitor there is an apparatus, which gives a three second delay to the live image. In this way the fish, which as we know has a three second memory-span, can see it’s recent past, which would otherwise not be able to reach.

Here the public can witness both the present and the past simultaneously, the fish and its actions of a few seconds before. Further to allowing these times to symbolically co-exist, otherwise dissociated by the lack of memory, the circuit elaborated by the artist aims to reconnect the past to the present as if it is were possible, duplicating the images, prolonging them. The artist’s project appears to recover the notion of time as something infinite. By pointing the video camera to the transparent aquarium, part of the image created by it, and transmitted to the monitor, is once again captured, infinitely duplicating itself. The three-second delays are also multiplied in the same way.

Perhaps from this time, of mechanical and measurable technology, which tends to objectify everything, we are able to recreate identical and disconnected instants, within a constant flux. After all, as a moment a passes by, it contains not only part of what precedes it but also a part of what succeeds it. This distances us from the thought of time as something that can be divided into equally divided intervals and permits it to be conceived as an immeasurable continuous passage, hence, as pure duration.

CAUÊ ALVES | PROFESSOR OF ARCHITECTURE AND URBANISM OF THE ESCOLA DA CIDADE, UNIVERSITY OF COMMUNICATION OF FAAP AND CURATOR OF THE CLUBE DE GRAVURA, MAM-SP | 2006

SOBRE A DURAÇÃO DO TEMPO

A noção de tempo como algo mecânico, objetivo e mensurável por uma máquina, concebido como uma variável matemática parece comandar cada vez mais nossas vidas. Assim como na ciência moderna, o tempo que nos rege é compreendido quantitativamente, como se fosse uma extensão descontínua, uma linha reta que pode ser dividida infinitamente em instantes que não precisam estar necessariamente relacionados. Tudo se passa como se não houvesse sucessão ou acúmulo do passado no presente. Nos dias de hoje, além da falta de memória crônica, parece que estamos perdendo também a noção de tempo como duração, como tempo vivido e indissociável do movimento de engendramento contínuo de momentos.

O trabalho de Ivan Henriques aqui apresentado nos permite refletir sobre questões relativas ao tempo e a memória. Ele consiste em um circuito fechado em que uma filmadora capta imagens de um aquário redondo a sua frente, com um peixe dourado vivo, e transmite a imagem para uma televisão, com as mesmas proporções do aquário, também a sua frente. Entre a câmera e a televisão há um aparelho que retarda em três segundos o tempo real da imagem. Assim o peixe, que como se sabe possui uma memória de apenas três segundos, poderá rever esse passado recentíssimo e que já não estaria mais ao seu alcance.

Já o público, poderá assistir simultaneamente o presente e o passado, o peixe e suas ações de segundos atrás. Além de fazer conviver simbolicamente esses tempos que estariam dissociados pela falta de memória, o circuito elaborado pelo artista tenta reconectar o passado ao presente como se fosse possível, duplicando as imagens, prolongá- las. O projeto do artista parece retomar a noção de tempo como algo infinito. Ao direcionar a câmera para o aquário transparente, parte da própria imagem gerada por ela, e transmitida para a televisão, será novamente captada e se duplicará infinitamente. E esses três segundos serão multiplicados do mesmo modo.

Talvez a partir desse tempo mecânico e mensurável da tecnologia, que tende a tudo objetivar, podemos rearticular instantes idênticos e descontínuos em um fluxo constante. Afinal, um momento, na medida em que passa, contém em si não apenas parte do momento que o precedeu, mas também parte do momento que o sucede. Isso nos afasta da compreensão do tempo como se ele pudesse ser dividido em intervalos exatamente iguais e permite que ele seja concebido como passagem contínua e imensurável, enfim, como pura duração.

Cauê Alves

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